Departure

15:02



PARTIDA"Ao ver escoar-se a vida humanamente 
Em suas águas certas, eu hesito, 
E detenho-me às vezes na torrente 
Das coisas geniais em que medito. 

Afronta-me um desejo de fugir 
Ao mistério que é meu e me seduz. 
Mas logo me triunfo. A sua luz 
Não há muitos que a saibam reflectir. 

A minh'alma nostálgica de além, 
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto, 
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto 
Que tenho a fôrça de sumir também. 

Porque eu reajo. A vida, a natureza, 
Que são para o artista? Coisa alguma. 
O que devemos é saltar na bruma, 
Correr no azul á busca da beleza. 

É subir, é subir àlem dos céus 
Que as nossas almas só acumularam, 
E prostrados resar, em sonho, ao Deus 
Que as nossas mãos de auréola lá douraram. 

É partir sem temor contra a montanha 
Cingidos de quimera e d'irreal; 
Brandir a espada fulva e medieval, 
A cada hora acastelando em Espanha. 

É suscitar côres endoidecidas, 
Ser garra imperial enclavinhada, 
E numa extrema-unção d'alma ampliada, 
Viajar outros sentidos, outras vidas. "

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão' 
  O vestido feito com dois lenços típicos do folclore português remete inusitadamente para a recente realidade dos criativos nacionais que para criar tem de partir. Daí o encaixe perfeito deste poema  nesta foto. 

I apologize to my foreing readers, but i didn't found a translation that honors this poem that I choosed to complement this picture . This dress is made with two typical scarves from portuguese folklore and unusually this photo turns out to represent the portuguese creative artists who are forced to leave the country in order to create.

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